Quanto custa casar depende pouco do cartório, que cobra só as taxas, e muito da festa, que pede um teto combinado antes do primeiro orçamento.

Vocês ficaram noivos e, na mesma semana, alguém já perguntou quantos convidados vão ser. Antes dessa resposta vem outra: quanto os dois conseguem pagar sem começar a vida juntos com dívida. Se a data cair no fim do ano, a agenda aperta: segundo o IBGE, o Brasil registrou 948.925 casamentos civis em 2024, e dezembro foi o mês com mais registros entre 2022 e 2024.

Quanto custa casar no cartório?

O Código Civil diz que a celebração do casamento é gratuita (art. 1.512). O que tem custo é o processo em volta: a habilitação, o registro e a certidão. Esses atos seguem a tabela de emolumentos de cada estado, então o valor muda de um lugar para outro. Quem declara não ter condições de pagar fica isento da habilitação, do registro e da primeira certidão, “sob as penas da lei”: a declaração precisa ser verdadeira.

O caminho no cartório é curto:

  1. Os dois assinam o pedido de habilitação e levam os documentos, com a declaração de duas testemunhas (art. 1.525).
  2. Com a documentação em ordem, o cartório dá publicidade eletrônica à habilitação e emite o certificado em até cinco dias, conforme a Lei de Registros Públicos (art. 67).
  3. A habilitação vale por 90 dias a partir da emissão do certificado (art. 1.532). O casamento pode acontecer em qualquer cartório de registro civil dentro desse prazo.

Peçam ao cartório o total antes de marcar a data, incluindo a celebração fora da sede, se for o caso. É nessa etapa que o oficial também explica os regimes de bens (art. 1.528); o guia sobre regime de bens mostra o que cada um muda no dinheiro dos dois.

Quanto custa uma festa de casamento?

Não existe um preço único, e a pesquisa mais útil mostra intenção, não gasto final. Em levantamento de 2024 da Serasa com o Casar.com e o Opinion Box, 54% dos casais disseram planejar gastar até R$ 40.000, e 72,4% até R$ 85.000.

Antes de pedir orçamentos, separem os custos em dois grupos. Alguns crescem a cada convidado: buffet, bebida, doces, lembrancinhas. Outros quase não mudam com a lista: espaço, fotografia, música, decoração, roupa. Cortar dez nomes da lista mexe no primeiro grupo; trocar de fotógrafo mexe no segundo.

Os dois formatos abaixo usam as mesmas linhas para comparar. Os valores são um exemplo hipotético, não preço de mercado.

Linha do orçamento (exemplo) Civil + almoço, 30 convidados Festa, 100 convidados
Cartório (habilitação e registro) tabela do estado tabela do estado
Custo por convidado 30 × R$ 150 = R$ 4.500 100 × R$ 220 = R$ 22.000
Custos fixos (espaço, foto, música, decoração) R$ 3.000 R$ 18.000
Roupa e beleza R$ 1.500 R$ 5.000
Reserva para imprevistos (10%) R$ 900 R$ 4.500
Total sem o cartório R$ 9.900 R$ 49.500

Na festa do exemplo, dez convidados a menos tiram R$ 2.420 da conta: R$ 2.200 do custo por convidado e R$ 220 da reserva. A reserva entra nas duas colunas: a própria Serasa sugere separar de 10% a 15% do valor planejado para gastos inesperados.

Como definir um teto para o casamento a dois?

Comecem pelo que existe, não pela lista de desejos. Uma conta simples para o teto:

teto = o que já está guardado + o que cabe por mês × meses até a data + contribuições já confirmadas

Exemplo: R$ 8.000 guardados, R$ 1.800 por mês durante 14 meses (R$ 25.200) e R$ 5.000 que a família de um dos dois já confirmou. O teto fica em R$ 38.200, e vocês arredondam para R$ 38.000. Com esse número, a festa de 100 convidados da tabela não cabe; o almoço cabe com folga, e um formato intermediário vira a conversa do próximo fim de semana.

Três cuidados mantêm o teto honesto:

  • Contribuição prometida não é contribuição confirmada. Só entra no cálculo o que já foi combinado com valor e prazo.
  • Presente em dinheiro entra depois. Ele pode repor a reserva ou quitar a última parcela, mas não sustenta uma reserva de espaço feita antes.
  • A reserva de emergência fica fora. Ela existe para desemprego e saúde; o guia de reserva conjunta explica por quê.

Para decidir o que fica dentro do teto, cada um lista três prioridades sem mostrar ao outro. O que aparecer nas duas listas recebe a maior parte do dinheiro; o que não aparecer em nenhuma é o primeiro candidato a corte.

Como dividir os gastos do casamento quando as rendas são diferentes?

Pagar meio a meio parece justo até alguém comparar com o salário. No exemplo, os R$ 1.800 mensais saem de duas rendas: uma de R$ 6.000 e outra de R$ 4.000.

Divisão dos R$ 1.800 por mês (exemplo) Quem ganha R$ 6.000 Quem ganha R$ 4.000
Meio a meio R$ 900 (15% da renda) R$ 900 (22,5% da renda)
Proporcional à renda (60/40) R$ 1.080 (18% da renda) R$ 720 (18% da renda)

No meio a meio, quem ganha menos compromete uma fatia maior do salário. No proporcional, os dois comprometem a mesma fatia, e o valor em reais fica diferente. Nenhuma das duas está errada; o que importa é escolherem juntos e saberem o efeito de cada uma. O guia sobre dividir as contas quando um ganha mais que o outro compara outros modelos.

Quando a família de um dos dois ajuda, vale decidir antes se o valor reduz o total do casal ou a parte de quem recebeu a ajuda. As duas leituras são possíveis; o atrito costuma vir de cada um supor uma diferente.

O que conferir nos contratos com fornecedores?

O contrato é onde o teto vira compromisso. As orientações do Procon Goiás para quem vai casar funcionam como checklist antes de assinar:

  • peçam orçamento por escrito, com tudo o que foi falado, e uma cópia do contrato antes de assinar;
  • confiram a multa rescisória e os critérios de cancelamento, de cada lado;
  • registrem valor total, forma de pagamento, datas de vencimento e, se houver parcelamento, os juros;
  • quando possível, paguem um sinal e deixem o restante para depois da entrega do serviço.

Cláusulas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada são nulas pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 51). Se uma multa parecer desproporcional, o Procon do estado de vocês pode orientar antes da assinatura.

Com quatro ou cinco fornecedores, as parcelas se espalham pelo ano. Anotem cada vencimento no mesmo lugar e combinem quem acompanha cada um; o post sobre lembretes de vencimento mostra como receber o aviso antes do dia.

O que cortar primeiro se a conta não fechar?

A lista de convidados costuma ser o corte mais eficiente, porque mexe em vários itens de uma vez. Depois vêm os itens fixos que ninguém colocou entre as três prioridades. A reserva para imprevistos é a última coisa a sair: sem ela, qualquer aumento vira parcela no cartão.

Também dá para mudar o formato em vez de encolher a festa inteira: almoço no lugar de jantar, sexta-feira no lugar de sábado, civil agora e comemoração maior depois.

Perguntas frequentes sobre o custo do casamento

Quanto custa casar no civil?

A celebração é gratuita pelo Código Civil. A habilitação, o registro e a certidão têm emolumentos pela tabela de cada estado. Quem declara não ter condições de pagar fica isento desses três atos, e a declaração precisa ser verdadeira.

Quanto tempo vale a habilitação para o casamento?

Noventa dias, contados da emissão do certificado de habilitação. Com a documentação em ordem, o cartório emite o certificado em até cinco dias, e o casamento pode ser feito em qualquer cartório de registro civil dentro do prazo.

Vale fazer empréstimo para pagar a festa?

Depende da situação de vocês, e este texto não é recomendação individual. Antes de parcelar com juros, comparem o custo total da dívida com o que dá para cortar da festa. Uma parcela que dura além do casamento ocupa o orçamento dos primeiros meses a dois.

Presentes em dinheiro podem entrar no teto?

Só depois de recebidos. Contar com o valor antes do casamento pode deixar uma parcela sem cobertura. Depois da festa, esse dinheiro pode repor a reserva para imprevistos ou quitar o que ficou em aberto.

Como acompanhar o casamento no dividi?

No dividi, o casamento pode virar uma meta na Conta Conjunta: o teto combinado entra como Valor do alvo, e a data do casamento como Data alvo. Cada pagamento a fornecedor, como o sinal do espaço ou uma parcela do buffet, é lançado em Gasto conjunto, dividido pelos percentuais que vocês definiram, e em Associar a uma meta vocês escolhem o casamento. Quando o gasto é marcado como pago, ele passa a contar em Contabilizado nesta meta, e Falta para concluir mostra quanto do teto ainda está em aberto, igual para os dois.

Baixem o dividi para montar essa meta; os planos mostram recursos e limites.

Se for a primeira meta de vocês, o passo a passo de metas compartilhadas mostra cada tela, e o texto sobre metas que fortalecem o relacionamento ajuda a decidir o que vem depois do casamento.