Mobills e dividi partem de perguntas diferentes. O Mobills organiza a vida financeira de uma pessoa e, no plano pago, puxa as transações direto do banco por Open Finance. O dividi organiza o mês de duas pessoas e não se conecta a banco nenhum — o que entra no app é o que vocês registram.
Duas decisões separam os dois produtos: de onde vem o dado e para quantas pessoas o app foi desenhado. Nenhuma das duas é melhor no abstrato. Elas custam coisas diferentes.
Este comparativo trata as duas ferramentas com o mesmo cuidado e não elege vencedor. Preços, planos e regras foram consultados nas páginas e na central de ajuda oficiais em agosto de 2026 e mudam com o tempo — confirme antes de decidir.
O que é o Mobills
O Mobills é um gerenciador financeiro pessoal brasileiro, com app para Android, iOS e web. Ele registra receitas e despesas, monta orçamento mensal, acompanha faturas de cartão, cria objetivos e gera relatórios e gráficos.
O recurso que mais pesa na escolha é a integração bancária. Disponível apenas nos planos pagos, ela sincroniza automaticamente as transações das suas contas e cartões via Open Finance, o ecossistema regulamentado pelo Banco Central. Segundo a central de ajuda, a integração serve exclusivamente para visualização de extrato e fatura, e o Mobills não movimenta valores, não realiza operações e não tem acesso às suas senhas bancárias. Para conectar, você informa nome e CPF, porque a conexão é feita pela titularidade da conta.
Na prática, isso resolve o maior atrito de qualquer app de finanças: o gasto entra sozinho, já categorizado, sem ninguém precisar digitar.
O plano gratuito existe, com limitações. A central de ajuda cita, entre elas, adicionar mais de um cartão de crédito, gráficos detalhados e filtros — a integração bancária também fica de fora. Há ainda um plano PRO, que soma ao Premium um assistente por IA no WhatsApp para registrar gastos e consultar saldos por texto ou áudio.
O que é o dividi
O dividi organiza o mês de duas pessoas que dividem a vida — e as contas. Ele tem Conta Pessoal e Conta Conjunta, e é na Conjunta que a segunda pessoa entra por convite, com permissões definidas por quem convidou: quem pode cadastrar, alterar ou excluir gastos, metas e transferências.
Os gastos compartilhados são divididos por percentuais combinados entre os dois — 50/50 ou qualquer proporção que feche em 100%. No fim do mês, o app fecha a divisão e sugere a transferência de acerto, já com o valor calculado.
O dividi não conecta à conta bancária e não movimenta dinheiro. O cartão dentro do app é um organizador de gastos: guarda apelido, nome do banco digitado por você, bandeira e cor. Número completo, CVV e validade não são pedidos nem armazenados.
A diferença que decide: uma conta ou duas pessoas
Este é o ponto que raramente aparece na comparação de recursos e que mais muda o dia a dia.
O Mobills é, por desenho, um gerenciador pessoal. A própria central de ajuda é explícita ao responder se dá para compartilhar a conta: o app “não [foi] desenvolvido especificamente para um controle financeiro compartilhado”, e o uso a dois só é possível “de forma manual, disponibilizando login e senha para a pessoa”. E completa: “não é possível adicionar membros na conta, com qualquer tipo de permissão no uso da plataforma” (central de ajuda, consultada em agosto de 2026).
Funciona, e muita gente faz assim. Mas vale entender o que isso significa na casa de vocês:
- Não existe “seu” e “meu” dentro do app. Tudo é de uma conta só, então o gasto pessoal de cada um fica no mesmo lugar do gasto da casa.
- Não existe permissão. Quem tem a senha tem tudo: pode alterar e apagar qualquer lançamento, inclusive o que o outro registrou.
- A senha é compartilhada. Se um dia vocês quiserem separar, não há como remover um membro — só trocando a senha e recomeçando.
- Se a integração bancária estiver ligada, ela roda no CPF de quem cadastrou. O extrato de uma pessoa fica visível para quem tiver o login.
No dividi, a segunda pessoa é um membro com identidade própria: entra por convite, tem a própria conta, e as permissões dizem o que ela pode fazer. Gastos pessoais ficam na Conta Pessoal, separados do que é da casa.
Nada disso torna o Mobills pior — ele resolve muito bem o problema para o qual foi feito. Só não foi feito para duas pessoas com contas separadas.
Mobills ou dividi: comparativo por categoria
| Critério | Mobills | dividi |
|---|---|---|
| Modelo de produto | Gerenciador financeiro pessoal | Organização financeira contínua a dois |
| Uso por duas pessoas | Mesmo login e senha; sem membros nem permissões | Convite para a Conta Conjunta, com permissões por convidado |
| Gastos pessoais | Tudo na mesma conta | Conta Pessoal separada da Conjunta, no mesmo app |
| Divisão entre o casal | Não existe divisão por pessoa | Percentuais combinados na Conta Conjunta, inclusive 50/50 |
| Acerto do mês | Não se aplica | Transferência sugerida com valor calculado |
| Conexão bancária | Open Finance nos planos pagos, para leitura de extrato e fatura | Não existe: nada é conectado a banco |
| Entrada de gastos | Automática pela integração; manual no plano gratuito | Manual; por voz com a Divi no Premium |
| Cartões | Um cartão no gratuito; ilimitados nos planos pagos | Organizador de gastos, sem número nem CVV |
| Categorias | Automáticas na integração, com ajuste manual | Escolhidas por vocês ao registrar o gasto |
| Orçamento | Orçamentos mensais com alertas de limite | Orçamento inteligente 50-30-20 com Saudável, Atenção e Excedido |
| Metas | Objetivos financeiros | Meta com valor-alvo, prazo e progresso |
| Assistente por IA | No plano PRO, por WhatsApp | Gasto por voz com a Divi, no Premium |
| Relatórios | Gráficos detalhados e filtros nos planos pagos | Extrato e histórico da conta |
| Preço | Gratuito com limites; Premium R$ 99,90 por ano após 7 dias de teste; PRO em valor à parte | Free até 6 meses ou 120 operações; Premium R$ 4,99 por mês ou R$ 44,99 por ano |
Automação e privacidade: o que cada escolha custa
Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas.
A integração do Mobills não é um risco escondido. Ela passa pelo Open Finance, iniciativa do Banco Central em que só instituições autorizadas participam. O compartilhamento exige consentimento ativo, para finalidades determinadas, com validade limitada a 12 meses, e pode ser cancelado a qualquer momento — sua senha bancária nunca é entregue ao app. É um caminho auditado, e a conveniência é real: o extrato entra sozinho.
O que muda é a superfície de dados. Com a integração ligada, o histórico das suas contas e faturas passa a existir também fora do banco, vinculado ao seu CPF, num app que precisa mantê-lo atualizado. Isso é uma troca consciente, não um defeito — e para muita gente compensa.
O dividi fez a escolha oposta, e ela também tem preço. Sem conexão bancária, o app nunca sabe o saldo real de vocês: nada é importado, e cada gasto que não for registrado simplesmente não existe ali. Em compensação, o dividi não conhece seu banco, não vê seu extrato e não precisa do seu CPF para funcionar.
Dito sem rodeio: se o que mais incomoda é digitar, o Mobills resolve isso melhor. Se o que mais incomoda é o mês de duas pessoas não fechar, digitar é o menor dos problemas.
Para quem cada solução serve
O Mobills tende a servir melhor quem:
- quer o gasto entrando sozinho, sem registro manual;
- organiza a própria vida financeira, mesmo morando com alguém;
- tem várias contas e cartões e quer tudo consolidado num lugar;
- gosta de relatórios e gráficos detalhados para analisar o próprio consumo.
O dividi tende a servir melhor quem:
- divide contas com uma pessoa e quer saber como fica o acerto no fim do mês;
- quer separar o que é pessoal do que é da casa sem abrir mão de ver os dois;
- prefere que cada um tenha o próprio acesso, com permissões, em vez de uma senha compartilhada;
- prefere não conectar o app a banco nenhum, mesmo sabendo que o registro fica manual.
Dá para usar os dois
Dá, e para alguns casais é o arranjo mais honesto. Cada um mantém o Mobills como painel individual — com a integração puxando o próprio extrato, no próprio CPF — e o casal usa o dividi para a camada que é de duas pessoas: o que é compartilhado, em que proporção, e quanto falta acertar no fim do mês.
Existe sobreposição, e vale nomear: orçamento, metas e categorias existem nos dois. A diferença é o eixo. O Mobills responde “para onde foi o meu dinheiro”; o dividi responde “como está o nosso mês”.
Perguntas frequentes sobre dividi e Mobills
O Mobills tem conta compartilhada para casal? Não no sentido de duas contas ligadas. Segundo a central de ajuda, não é possível adicionar membros com qualquer tipo de permissão; o uso a dois é feito compartilhando o mesmo login e senha. No dividi, a segunda pessoa entra por convite e tem permissões próprias.
O dividi conecta ao banco como o Mobills? Não. O dividi não tem integração bancária, Open Finance nem importação de extrato. Os gastos são registrados por vocês — no Premium, também por voz com a Divi. É uma decisão de produto: menos automação, menos dado circulando.
Mobills ou dividi: qual é mais barato? O Mobills Premium custa R$ 99,90 por ano, após 7 dias de teste. O dividi é gratuito até 6 meses ou 120 operações, e o Premium custa R$ 4,99 por mês ou R$ 44,99 por ano — uma assinatura para a conta de vocês dois, com Compartilhamento Familiar no iOS. Veja os planos.
O Mobills divide o gasto entre duas pessoas? Não. Ele registra e categoriza o gasto, mas não calcula a parte de cada um nem sugere acerto. Essa é a função central da Conta Conjunta no dividi, com percentuais combinados entre os dois.
Posso migrar do Mobills para o dividi? Não existe importação automática, justamente porque o dividi não lê extrato. O caminho prático é começar pelo mês corrente e cadastrar primeiro o que é compartilhado — aluguel, mercado, contas da casa. É o mesmo caminho de quem sai da planilha, que está detalhado em dicas para migrar da planilha para o dividi.
Como escolher
Responda uma pergunta antes de olhar preço ou lista de recursos: o problema de vocês é registrar ou é combinar?
Se o mês trava porque ninguém tem paciência de digitar gasto, a automação do Mobills ataca exatamente isso, e o registro manual do dividi vai incomodar. Se o mês trava porque cada um tem um número diferente na cabeça, quem pagou o quê virou discussão e no fim ninguém sabe quanto acertar, nenhuma automação resolve — o que falta é uma leitura comum, com regra de divisão combinada antes.
No dividi, isso vira uma Conta Conjunta com os percentuais que vocês decidirem, gastos compartilhados separados dos pessoais, orçamento inteligente avisando quando um pilar entra em Atenção, e a transferência de acerto calculada no fim do mês. Se quiserem começar sem compromisso, o download é gratuito até 6 meses ou 120 operações.
Se você chegou até aqui comparando ferramentas, talvez valha a leitura rápida sobre por que este blog existe — e, se a dúvida for outro tipo de app, temos também os comparativos com Splitwise, para dividir contas em grupo, e com Noh, para conta conjunta de verdade.


